Educação e Biologia: Incompetência na gestão escolar, um desserviço para a sociedade!

Educação e Biologia: Incompetência na gestão escolar, um desserviço para a sociedade!

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Por Isis Furtado Mantovanelli

Como o último artigo, “Descomprometimento em sala de aula: um olhar político” (http://www.aprenda.bio.br/portal/?p=8704), rendeu bons frutos, resolvi dar uma apimentada seguindo a mesma linha de raciocínio, tratando agora especificamente da gestão escolar. Meu maior objetivo é potencializar as vozes dos meus queridos amigos professores e professoras, que valentemente enxergam a gestão das escolas públicas sob uma ótica simplesmente diferente daquela que nos é imposta.

Como diria Fernando Anitelli (grande compositor e idealizador da banda O Teatro Mágico), “não acomodar com o que incomoda”, os professores que apresentam uma concepção emancipatória e crítica de educação buscam margear, invadir, penetrar brechas e rupturas e superar obstáculos dentro do sistema. Afinal, em posse de modelos defendidos por Freire, Coll, Zaballa, Vygotsky, Piaget, etc. queremos que brote magicamente a coesão entre teoria e prática. Mas não! Ela raramente acontece e vivenciamos frustrações, decepções e amarguras. E “para não dizer que não falei de flores”, vamos nos deslocar desta vitimização e pontuar por que elas acontecem.

O primeiro conflito não acontece frente aos coordenadores, diretores e vice-diretores e sim entre nossos próprios pares. Sim! Entre nós professores! É um conflito pouco reconhecido, nublado, escamoteado que nasce de diferentes paradigmas de educação e daquela velha arrogância expressa na ideia de “estou dando aula há 20 anos, você quer me ensinar?” Cercados por sua própria ignorância e comodismo, muitos (sim, muitos!) professores acabam fazendo mais do mesmo, simplesmente porque sempre assim o fizeram, desprezando tudo e todos que ameaçam sua zona de conforto. Experiência e novidade deveriam buscar o diálogo e nossos ATPCs e análogos deveriam servir para isso e não para passar o tempo por meio de informes e conversas superficiais ou inúteis. Que tenhamos em mente que um professor marca a vida de um aluno, impulsionando ações positivas e despertando seus potenciais ou levando-o ao seu isolamento em sociedade e autodepreciação. Por isso, a formação de professores é fundamental, assim como estratégias que aliem pensamentos que realmente favoreçam a aprendizagem dos alunos.

Reconhecendo o primeiro conflito, vem o segundo e mais voraz: a divergência de pensamentos entre professores e seus respectivos coordenadores e diretores.  O embate é decorrente da reprodução de nossa política educacional por parte dos gestores. Não há enfrentamento. Não há preocupação em formar verdadeiros cidadãos. [Desculpem-me as raríssimas exceções de exemplares gestões escolares]. Poderia resumir a gestão escolar convencional em três expressões principais: busca pelo poder e prestígio, estratégias que garantam o bônus e incompetência.

A busca pelo poder reflete em autoritarismo, controle e padronização (desde a disposição das carteiras em salas de aula até a imposição de “estratégias” pedagógicas aos professores). Esta opressão busca trapacear qualquer esforço contrário, que vise estimular a criatividade, o senso crítico, o diálogo e a reflexão. O fetiche pelo bônus nem preciso falar, né? Esta obsessão por Saresp, IDEB e todos os tais índices duvidosos do governo beiram à loucura. Afinal, vamos impedir a evasão e a reprovação escolar para garantir nossos bônus (tom de ironia)! Para quê nos importar com o aprendizado de nossos alunos? Por fim, a incompetência, no meu ponto de vista, converge fortemente com os outros dois pontos. A incompetência é resultado de uma distorção de valores que dialogam com o fortalecimento do espírito coletivo da instituição, com a busca pelo diálogo entre todos os atores sociais – dentro e fora da escola -, e a construção de cidadãos engajados em sociedade, capazes de enxergar sua realidade, questioná-la, desenvolvendo ferramentas que façam emergir ideais que vão de encontro a uma sociedade com justiça, equidade, respeito e qualidade de vida.

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