Entre Picadas e Mordidas: O que acontece com a Austrália?

Entre Picadas e Mordidas: O que acontece com a Austrália?

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Por Daniel Zani La Laina

Dentre tantos lugares para morar no nosso planeta, confesso que a Austrália sempre esteve no topo da lista. De lá vem o AC/DC e, em 2012, o país tinha a quinta maior renda per capita do mundo.

O lugar tem clima parecido com do Brasil e um gosto especial por cerveja. Como biólogo, é um paraíso evolutivo repleto das mais estranhas criaturas, moldadas ao longo do tempo por morarem numa ilha que os submetiam a condições únicas.

Exemplo de criatura maravilhosa

Essas condições ambientais podem ter sido responsáveis também pela quantidade incrível de animais peçonhentos e venenosos desse país. Não fosse isso suficiente, a Austrália é lar do crocodilo marinho (Crocodylus porosus) ao norte, tubarão branco (Carcharodon carcharias) e da ave mais perigosa do mundo, o cazuar (Casuarius spp.)

O fato é que enquanto muitos se perguntam como alguém pode viver num lugar assim e por que não transformaram o lugar numa prisão de torturas continental, os australianos lidam muito bem com sua fauna.

A Austrália foi de fato uma colônia penal, para onde eram mandados os mais detestáveis sujeitos da Inglaterra e de suas outras colônias. Como os navios com essas pessoas nunca paravam de chegar, oportunistas viram nessa nova terra a chance de tirar uma graninha com a galera que ia chegando. A cidade de Cairns, hoje conhecida pelo turismo e como principal ponto de saída para a Grande Barreira de Corais, foi um antro de prostíbulos, bares e casas de jogos, até descobrirem seu real potencial.

Além do potencial, os recém chegados também descobriram a fauna da região, ficando excepcionalmente assombrados com a quantidade de serpentes, a maioria altamente peçonhenta.  Todas as serpentes peçonhentas da Austrália são elapídeos, da mesma família da naja e da nossa cobra-coral.

A serpente com a menor DLsc50 (dose mínima para matar 50% das cobaias por injeção subcutânea) mora lá. É a taipan do interior (Oxyuranus microlepidotus), que só precisa de 0, 025mg de veneno para matar 50% das cobaias. Em uma mordida, esse animal consegue liberar 44mg de veneno em média e 110mg no máximo.  Divirta-se fazendo as contas!

Uma das aranhas mais tóxicas do mundo também perambula por lá e se chama aranha teia de funil de Sydney (Atrax robustus). Como o nome diz, ela convive com milhões de pessoas e ainda assim, faz mais de trinta anos que nenhuma pessoa morre devido a um acidente com essa aranha. E assim chegamos ao ponto.

A Austrália é um exemplo no manejo de sua vida silvestre. Depois de quase serem extintos por causa de seu couro, os crocodilos marinhos agora estão totalmente recuperados e rendem milhões em turismo. Em Quase todos os lagos e rios do território do norte, placas avisam os turistas da presença de crocodilos. Esses animais entram em piscinas e invadem cidades costeiras como Darwin e, apesar de gerarem polêmica, são tolerados.

Diversas empresas fazem o resgate de serpentes e outros animais que entram nas casas de moradores assustados, mas conscientes. Essas empresas existem, e se expandem, por que os moradores não querem matar os animais.

Eles estão pensando em placas com o Dollynho alertando contra o sol também

Os australianos sabem que esses animais estão longe de ser uma grande preocupação.  Somando-se todas as fatalidades relacionadas à vida selvagem da Austrália por ano, não chegamos nem perto da taxa de homicídios desse mesmo país, que é muito baixa por sinal (1 homicídio por 100.000 habitantes). Se alguém se perguntou a do Brasil, é de 21 por 100.000 habitantes, perdendo só pra Índia em números anuais totais. Brasil-sil-sil!

Juro que preferia ver a placa da direita por aqui.

Mais importante do que a presença de tantos animais perigosos, é o modo como os australianos vem lidando com isso. Respeitando e tentando conviver com a fauna tão única e bela que eles têm o privilégio de proteger.

Só podemos aguardar o dia em que esse orgulho faunístico atinja nosso povo também.

 

Um abraço!

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