Subaquática: TERRA EM EVOLUÇÃO – GALÁPAGOS ACIMA DA LINHA D’ÁGUA

Subaquática: TERRA EM EVOLUÇÃO – GALÁPAGOS ACIMA DA LINHA D’ÁGUA

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Palo Santo (Bursera graveolens)

Sem dúvida, os motivos pelos quais as Ilhas Galápagos sempre me atraíram, foram as riquezas abaixo da linha d’água. Cardumes imensos de tubarões martelo e os gigantes gentis dos oceanos, os tubarões baleia. Porém, estaria mentindo se dissesse que os segredos que separam essa linha tênue não me encantam. O arquipélago de Galápagos é um dos poucos que ainda guarda intacta uma biodiversidade de espécies da fauna e da flora inigualáveis. Isso faz desse conjunto de ilhas do Pacífico ocidental um “laboratório” a céu aberto, centro de pesquisa e, literalmente, um pedaço da Terra em evolução.

Fregata magnificens e filhote

Certas ilhas, como Darwin e Wolf, só podem ser visitadas pelos barcos de live-aboard que fazem as expedições de mergulho, ou então por pesquisadores do Parque Nacional de Galápagos. Entretanto, as ilhas de San Cristóbal, Santa Cruz e Isabela, por exemplo, recebem a visitação de não-mergulhadores, pessoas apaixonadas pela natureza e suas belezas. As ilhas de Isabela, a maior do arquipélago e repleta de vulcões, e a de Santiago, foram tomadas por cabras, porcos e burros há alguns anos. Espécies invasoras, um problema para as endêmicas, precisaram ser erradicadas no que ficou conhecido como o “Projeto Isabela”. Entre os anos de 2001 e 2006, mais de 80 mil cabras foram removidas de Santiago, mais de 59 mil de Isabela, com a ajuda de helicópteros, caçadores e seus cães. O que pode parecer uma atitude cruel, foi uma tentativa de preservar e conservar os ecossistemas intactos desta ilha em evolução.

Tartaruga-Gigante-de-Galápagos (Geochelone nigra)

Santa Cruz abriga a Charles Darwin Research Station (CDRS), a Estação de Pesquisa Charles Darwin, parte da Fundação Charles Darwin. Assim como em Isabela, a ilha de Santa Cruz é lar das famosas tartarugas gigantes de Galápagos, que quase foram dizimadas com a introdução de espécies, entre elas as cabras, durante o século XX. George, o solitário, Lonesome George, tornou-se figura emblemática por ser o último exemplar de sua espécie, Geochelone abingdoni. Infelizmente, não tive a chance de conhecê-lo, pois George morreu há dois anos, sem deixar herdeiros, apesar das tentativas dos pesquisadores em promover a continuidade da sua espécie. Por outro lado, apesar da extinção da G. abingdoni, com a morte do famoso George, várias outras espécies de tartarugas gigantes, do gênero Geochelone, habitam as ilhas Galápagos. Na Estação de Pesquisa em Santa Cruz, além de avistá-las em seu habitat natural, é possível ver o trabalho feito com os animais cativos em diferentes fases de seu desenvolvimento. Vale lembrar que todos os indivíduos, após um período de quarentena, são colocados novamente no seu ambiente de gramíneas e lamaçal.

Booby no Arco de Darwin (Sula sula)

Voltando à tênue linha que separa os ambientes aquáticos e terrestres, há uma infinidade de espécies, endêmicas ou não, que transitam por ambos os meios, como as aves marinhas. Uma delas chama a atenção pela sua face extremamente fotogênica: Sula nebouxii, o Blue-footed Booby. Parte da família Sulidae, há 3 espécies de boobies em Galápagos, além da S. nebouxii, a Sula sula, Red-footed Booby, e a Sula granti, o Nazca Booby. Uma vez ancorados nas Ilhas Cousins, partimos com as pangas para um passeio de cerca de 2 horas por este território isolado chamado de Bartolomeu. A ave carismática das patas azuis não é endêmica. Além de Galápagos, faz seus ninhos na costa do México, Peru e Equador. Machos e fêmeas dividem-se no cuidado com os ninhos e os filhotes. Alimentam-se basicamente de peixes e, para isso, utilizam não só as patas em forma de nadadeira, mas a visão binocular, essencial para serem excelentes mergulhadores.

Fregata minor

Trilha sonora para a linha d’água da Terra em Evolução:
Love will tear us apart – Joy Division

The killing moon – Echo & The Bunnymen

Crédito das fotos: Raquel Rossa

Raquel Rossa – Fotógrafa
http://www.raquelrossa.com/

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