Subaquática: MISTERIOSAS RAIAS CHITA

Subaquática: MISTERIOSAS RAIAS CHITA

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Raia-Chita (Foto: Raquel Rossa)

Aproveitando o gancho da semana passada, quando falei sobre os grandes tubarões martelo, hoje trago uma de suas presas favoritas, as elegantes raias chita, Aetobatus narinari. Momento confissão: o mais engraçado é pensar que antes de me apaixonar pelos tubarões, encantei-me por essas misteriosas criaturas.

Raia-Chita (Foto: Raquel Rossa)

Assim como os tubarões, as raias também fazem parte da Classe Chondrichthyes e da subclasse Elasmobranchii, que engloba os peixes cartilaginosos. De certa maneira, podemos dizer que raias são “primas” dos tubarões. Elas compõem a maioria das espécies desta classe, com aproximadamente 600 já descritas pelo mundo. Assim como os tubarões, as raias possuem brânquias em lamelas, que variam de 5 a 7 pares. Porém, têm um morfotipo básico bem distinto: o corpo é achatado dorsoventralmente, com cauda e nadadeiras peitorais alongadas. A cabeça funde-se ao disco das nadadeiras peitorais e, geralmente, os olhos e espiráculos estão situados na região dorsal da cabeça. Há cinco ordens conhecidas: Myliobatiformes, Rajiformes, Torpediniformes, Rhinobatiformes e Pristiformes.

Raia-Chita (Foto: Raquel Rossa)

Aetobatus narinari – Raias Chita

Aetobatus narinari (Foto: Raquel Rossa)


As raias chita, também chamadas de raias pintadas, pertencem à Ordem Myliobatiformes e à Família Myliobatidae. É a única espécie do gênero Aetobatus encontrada no Brasil. Possuem um padrão de coloração bem característico, com o dorso castanho-escuro ou oliváceo-escuro, recoberto por pintas brancas (daí seu nome popular) e o ventre branco. A cabeça é destacada do disco e o focinho é arredondado e curto, lembrando um bico de papagaio, com olhos e espiráculos laterais. A cauda é afilada e longa, com uma pequena nadadeira dorsal na base, além da presença de ferrões, que são modificações dos dentículos dérmicos. Os neonatos medem entre 17 e 39cm de largura, enquanto os indivíduos adultos atingem a largura máxima de cerca de 3,3m. É uma espécie vivípara placentária, na qual o embrião tem suporte nutricional da mãe, e esta, por sua vez, tem uma prole de 1 a 4 indivíduos. Alimentam-se basicamente de moluscos bivalves e outros invertebrados bentônicos, além de crustáceos e peixes. Encontradas em águas tropicais e subtropicais, as raias chita possuem um modo de vida pelágico.

Aetobatus narinari (Foto: Raquel Rossa)

Como grandes nadadoras, flutuam na coluna d’água e possuem um nado extremamente delicado. Podem ser avistadas em grandes grupos ou solitárias. Assim como um de seus predadores, o grande tubarão martelo (Sphyrna mokarran), são tímidas e misteriosas. Em Rangiroa, na Polinésia Francesa, o período em que os grandes martelo aparecem, coincide com a época de acasalamento das raias chita. Prato cheio não só para os tubarões, mas também para os mergulhadores.

 

Aetobatus narinari (Foto: Raquel Rossa)

Mesmo sendo considerada uma única espécie, a A. narinari apresenta variações biológicas, morfológicas e nos padrões de coloração de um lugar para outro. Alguns pesquisadores sugerem a existência de até 4 espécies distintas. Em Turks & Caicos, arquipélago britânico no Caribe, as chitas são bem maiores e possuem as pintas brancas vazadas, em forma de anel. O mesmo acontece na Polinésia, no Pacífico. Já no Brasil, em Fernando de Noronha, onde são frequentes, os indivíduos são menores, de coloração mais escura e com pintas brancas totalmente preenchidas. Independente das diferenças, a A. narinari é um dos animais mais femininos e elegantes dos oceanos.

Raquel Rossa – Fotógrafa
http://www.raquelrossa.com/

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