Movimentando-se com o Pensamento

Movimentando-se com o Pensamento

0 426

Olivia Morgan Lapenta

Seria possível o pensamento comandar movimentos de objetos externos, como robôs? Ou quem sabe vestir equipamentos e controlar seu uso com a força do pensamento? Alguns pesquisadores na década de 90 passaram a apostar que sim.

As primeiras pesquisas com resultados positivos, abordando esta possibilidade, são provenientes de experimentos com animais. Por exemplo, com ratos que deveriam movimentar uma alavanca mecânica para obter comida, e com primatas, nos quais estes aprendiam a reproduzir movimentos de joystick aprendidos apenas pensando nestes movimentos, via uma complexa interface do comando cerebral com o equipamento.

Nesta linha, o brasileiro Miguel Nicolelis, professor e pesquisador da Duke University (Durham, Carolina do Norte – EUA) e fundador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal (Natal, Rio Grande de Norte – BR) é um dos maiores pesquisadores da área e vem desenvolvendo diversas pesquisas em neurociência com intuito de viabilizar essa interface para humanos. Além de envolvido em ambos os estudos comentados acima, seguindo preceitos extremamente sofisticados, visa desenvolver e implementar uma interface cérebro-máquina capaz de restaurar a mobilidade total do corpo de pacientes com paralisia corporal grave resultante de lesões medulares ou doenças neurodegenerativas. Inclusive, o brasileiro expõe seu desejo de que um paraplégico realize a abertura da Copa do Mundo de Futebol de 2014 com um chute a gol.

Para concretizar essa idéia, aparentemente impossível, o projeto “Ande Novamente” (“The Walk Again Project”) do Centro de Neuroengenharia da Duke University vem desenvolvendo um aparato que consiste em um “traje robótico” comandado por neurochips (microeletrodos de alta densidade implantados no cérebro) capazes de processar e traduzir os padrões elétricos do cérebro em sinais de comando para este exoesqueleto, promovendo controle voluntário dos membros robóticos via mentalização motora (ou seja, o simples ato de pensar no movimento que se deseja efetuar).

O aparato está sendo desenvolvido baseado em estudos dos princípios neurofisiológicos e da neuroengenharia, pois os microchips devem ser capazes de identificar o padrão de atividade neuronal responsável pelo comando de cada movimento específico e traduzir esta atividade cerebral do sistema nervoso em comandos computacionais para o dispositivo externo ao corpo, permitindo que este realize o movimento mentalizado.

Ainda é muito cedo para afirmar se a idéia será, de fato, possível ou não. De qualquer maneira, ainda que não aconteça em 2014, esta abordagem para permitir movimentação àqueles que já não conseguem mais realizá-la é promissora e trás esperanças e possibilidades das mais diversas.

Sites mencionados nos comentários:

http://www.walkagainproject.org

http://www.natalneuro.org.br/

 

NENHUM COMENTÁRIO

Deixar uma resposta