Diário de Classe: Choque de realidade!

Diário de Classe: Choque de realidade!

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Por Claudia Zamuner

Disponível em http: http://umuarama.portaldacidade.com/artigo/1070/25/de-volta-as-aulas-o-que-podemos-entender-por-adaptacao-escolar / em 27/10/2016

Olá Pessoal, tudo bem com vocês??

O dia dos Professores foi comemorado recentemente com muitas mensagens bonitas de felicitações por parte dos familiares, amigos, alunos e ex-alunos mas, nós docentes, sabemos que essa escolha de profissão requer muita dedicação e, como escrevi em meu primeiro artigo, dom.

Essa semana iniciamos um trabalho diferente no cursinho em que trabalho e isso me possibilitou passar por diversas situações que onde repensei qual o meu papel na educação, mesmo que essa educação seja num cursinho preparatório. Como posso influenciar positivamente no meu aluno, no futuro desse aluno?

Sempre temos aquele aluno que nos marcou, seja porque não parava de conversar, nossa pedra no sapato, seja porque se destacava em seus estudos ou conversava bem; do mesmo jeito que o professor marca o aluno, este também, com suas peculiaridades, marca o professor.

E foi justamente isso que aconteceu: ao entrar em uma sala de aula para dar uma palestra sobre o Enem me deparei com alguns ex-alunos. A minha cabeça deu um looping de 360º: – O “fulano” cresceu e, melhor ainda, passou no ensino médio técnico, era um moleque!!! Fiquei feliz em vê-lo em um bom colégio e mais feliz ainda em saber que ele me reconheceu e que gostava das minhas aulas.

Numa outra situação, também de visitas em escolas públicas municipais e estaduais, me deparei com o contraste de realidades tão adversas que entramos num debate,um colega e eu, nos questionando porque duas escolas públicas estaduais, que recebem os mesmos subsídios governamentais, tinham comportamentos tão diferentes em relação aos seus alunos. Porque uma investe no futuro deles e a outra não.

É obvio que a docência no Brasil é uma luta diária que requer, por muitas vezes, esforços sobre-humanos para que o objetivo seja alcançado mas daí achar que o aluno já um caso perdido não é um pouco de hipocrisia? Culpar somente o Governo por nossas falhas? Lógico que a “culpa é minha eu ponho em quem eu quiser”, mas larga-los à Deus dará?!Foi impactante notar a diferença de realidades em escolas tão próximas.

Nosso papel, apesar de muitas vezes desgastante, é fundamental para que o aluno entenda que, como meu colega de profissão diz, ser de escola pública não faz dele um alienígena, faz dele um merecedor de todas as oportunidades que a vida oferece como qualquer outro. Ser do fundão, a pedra no sapato do professor, o falante, o desobediente não devem ser motivos para que ele não receba investimento. Ele também é digno de ter um futuro melhor.

Óbvio que o professor não faz seu trabalho sozinho, o aluno precisa entender que além de seus direitos ele também tem deveres e um desses deveres é se destacar.

Pude perceber, nestas palestras, como é gratificante você passar por um aluno, ou ex-aluno, e ver que a diferença foi feita, que ele está correndo atrás, que participamos, direta ou indiretamente, desta evolução. As dificuldades encontradas não devem servir de desculpas para não fazermos nosso trabalho, pelo contrário, devem ser o ponto de partida para realizarmos bem nossa tarefa e, quando aceitamos esse dom da docência, devemos interpretar bem nosso papel.

Fui tomada essa semana, na verdade, levei essa semana um choque da realidade…

Abraços, CZ

As famílias confundem escolarização com educação. É preciso lembrar que escolarização é apensa uma parte da educação. Educar é tarefa da família”.(Mario Sérgio Cortella)

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